sexta-feira, 15 de junho de 2007

Educação Visual em Sta. Catarina

Conhece Sta. Catarina?

3 comentários:

Francisco disse...

Sabia que há Educação Visual em Sta. Catarina?

Francisco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francisco disse...

Acerca do artigo de Miguel Sousa Tavares
“GOVERNAR CONTRA OS TRIBUNAIS”
Jornal Expresso de 06/01/2007

Em mais um artigo cujo alvo são os professores, diz o Sr. Tavares, no seu tom sardónico/despeitado, que “os professores terão conseguido, nos tribunais e por via financeira, derrotar o Ministério”, a propósito de se ter estabelecido jurisprudência no caso do pagamento como horas extraordinárias das chamadas aulas de substituição. Manifesta logo de seguida, o Sr. Tavares, um enorme receio de que esta jurisprudência se venha a fixar como doutrina definitiva, uma vez que, assim, a sua idolatrada ministra não terá dinheiro para pagar tanta hora extraordinária. Mais adiante, o Sr. Tavares, em descontrolado vitupério, afirma que “as aulas de substituição destinam-se a tentar pôr termo ao flagelo do absentismo dos professores, sem paralelo em nenhum outro sector de actividade, público ou privado”. No calor da sua arenga, o Sr. Tavares chega mesmo a sugerir que os professores estão na escola por vezes sem aulas para dar e, portanto, nada mais natural do que acorrerem alegremente a substituir um colega em falta...
Este Sr. Tavares faz evidentemente parte de um grande número de portugueses já de “uma certa idade” que tendo passado “nos velhos bons tempos” alguns anos pelos bancos da escola e assistido sentados à actuação de sucessivos professores, ficaram com a sensação de saber tudo o que há para saber sobre professores e ensino e, vai daí, opinam sempre que podem. Mas, como a sua experiência de alunos/espectadores/críticos terá sido frequentemente pontuada por traumáticas bordoadas, reguadas e chapéus com orelhas de burro, a sua opinião exuma sempre um ódio indiferenciado contra todos os professores e o ensino em geral.
Este Sr. Tavares, porém, sendo um opinante encartado, calculista, debita sempre e só a opinião que sabe colher mais aplausos: faz um ramalhete de atoardas simplistas e sonantes, que sabe que farão as delícias dos seus indefectíveis ressabiados. E fá-lo semanalmente e sempre com a certeza e a segurança próprias dos mais perigosos ignorantes que são aqueles que julgam que o pouco que sabem é tudo o que há para saber.
Ó Sr. Tavares, a tal situação de um professor que está na escola e não tem aulas para dar em dado momento e que, por isso, deveria estar disponível para fazer substituições, não existe! No horário dos professores há tempos lectivos e outros que não são lectivos. Apenas e só isto. Ora, na parte lectiva do horário dos professores não constam tempos destinados a aulas de substituição. Por isso, Sr. Tavares, estas aulas são extraordinárias, são, de facto, trabalho extra cuja remuneração não está incluída no vencimento dos professores. Eis porque os tribunais deram razão aos sindicatos. E será óptimo e, sobretudo, justo que se vença a ministra da educação nos tribunais e por via financeira porque toda a avalanche de despachos que atenta contra o Estatuto da Carreira Docente tem apenas como objectivo cortar despesas e travar indiscriminadamente a progressão profissional dos professores. A via reformista desta ministra é só financeira. A sua reforma não trará nada de positivo ao sistema de ensino, como já ficou demonstrado com o aumento de abandonos e reprovações no final do ano lectivo passado. É uma reforma mal intencionada e vai na direcção errada. Tudo o que tem sido legislado, a par da campanha humilhante de descrédito social nos media, tem como efeito nos professores a desmotivação e um profundo, insanável, ressentimento.
Quanto à ideia sensacional e, por isso, jornalisticamente atraente de que os professores são faltosos — os mais absentistas deste mundo e do outro, na certeza iluminada do Sr. Tavares —, será útil referir que a falta de um professor é extremamente visível. É, desde logo, notada pelos vinte ou trinta alunos de cada turma a que iria leccionar nesse dia e, quando os alunos chegam a casa, passa a haver outras tantas famílias que se inteiram do facto. No entanto, não passou de uma falta. E justificada, já agora. Na actividade lectiva falta-se como em qualquer outra actividade em que há profissionais que adoecem ou que têm familiares dependentes que adoecem. Nem mais nem menos.
A avaliar pela popularidade e aceitação de opinantes como o Sr. Tavares, esta última ministra da educação conseguiu isolar os professores da sociedade — ficará célebre a sua inqualificável frase “Perdi os professores mas ganhei a população”— e o Sr. Tavares, servindo-se da sua tribuna, tem-se entretido repetidamente a pôr achas na fogueira. Mas começa a ser cansativo, ó Sr. Tavares! Começa a não haver a menor pachorra. A minha reacção impulsiva a este seu último insultuoso ramalhete de atoardas seria responder-lhe com todas as letras no mais truculento e genuíno vernáculo, mas o Sr. Tavares, por muito que lhe custe, não tem essa importância. Porque, afinal, quem é o Sr. Tavares? Parece que publicou um livro mais ou menos inédito e que, ao que parece, vende que se farta? Depois, ocupa-se a vender opiniões?... Sobre tudo e mais alguma coisa? Ó Sr. Tavares, o Sr., por mais que queira, não tem a importância que se dá! Sabe quantos livros se publicam por dia, todos os dias do ano, só em Portugal, por autores que vão desde políticos desiludidos a alternadeiras?? E quanto a opiniões, Sr. Tavares, a sua, quer queira quer não, é tão banal como a de qualquer outra pessoa. Apenas sucede que a sua banalidade é usada para ilustrar o conceito. Semanalmente.


Francisco Martins da Silva, professor do 3º Ciclo/Sec